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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cibersegredos invioláveis de Nuno Crato

O ultimo livro que a minha irmã me ofereceu chama-se “A matemática das coisas” do Nuno Crato. Tenho o hábito de ler enquanto tomo o pequeno-almoço o que significa que actualmente começo os meus dias com pequenas histórias matemáticas. Hoje li uma das histórias que gostava de partilhar convosco. O artigo que aqui vos deixo foi destacado, em 2003, com o primeiro prémio da competição Raissing Public Awareness of Mathematics, da sociedade de Matemática Europeia. Espero que gostem!

Cibersegredos invioláveis, Nuno Crato

Tem receio de enviar o número do seu cartão de crédito pela internet? Há uma compra de livro ou disco que não fez porque o vendedor requeria o uso de um Visa ou MasterCard? Pois não está sozinho nesta desconfiança. Muitos portugueses e muitas pessoas em todo o mundo não beneficiam ainda das grandes vantagens do comércio electrónico por receios de segurança. No entanto, a circulação de informação confidencial pela Internet é das mais seguras que até hoje se construíram. Com alguns cuidados básicos, tais como evitar comerciantes desconhecidos e não enviar informação confidencial por e-mail directo (não cifrado), o mundo do comercio electrónico está ao alcance dos seus dedos.

A internet abriu possibilidades com que ainda há poucos anos não se sonhava. Tornou-se uma gigantesca biblioteca pública e abriu aos cidadãos do mundo o acesso ao comércio internacional, rápido e seguro. Quer comprar aquele manual técnico que não encontra nas livrarias e de cujo titulo exacto já não se recorda? Quer obter aquele CD de Bob Dylan que não consegue encontrar? É coleccionador e pretende adquirir uma bússola do século XIX? Tudo isso pode fazer pela internet, que lhe dá ainda acesso a várias redes internacionais de alfarrabistas onde, por tuta e meia, talvez encontre aquela esgotadíssima autobiografia de Max Planck que gostaria de ler. Quem sabe, tal como aconteceu com o autor destas linhas, se não encontrará um alfarrabista na Nova Zelandia que lha venda pela Internet?

Mas será seguro enviar o nosso número de cartão de crédito através desses bits e bytes que circulam sabe Deus por onde? Como podem a Amazon e outras cadeias de comércio electrónico garantir que os dados não chegam a mãos menos escrupulosas, ao teclado de algum computador da Cochinchina? É verdade que dizem que a informação segue cifrada, mas, se a minha mensagem é codificada com uma chave que enviam para o meu computador, não podem alguns larápios descobrir essa chave?

A pergunta faz todo o sentido. Durante milénios, os segredos das comunicações apoiaram-se em sistemas de cifra baseados numa chave dita simétrica, que permitia cifrar e decifrar as mensagens. Os interlocutores acordavam nessa chave. Diziam, por exemplo: o A escreve-se B, o B escreve-se C, e por aí adiante. Sendo assim, quando queriam dizer BOM DIA, escreviam CPN EJB. A chave que permite cifrar esta mensagem é a mesma que, invertida, a permite decifrar. A segurança da comunicação estava baseada na possibilidade de manter secreta a chave. Se ela era roubada ou descoberta após tentativas várias...

A comunicação cifrada através da Internet baseia-se num princípio inovador que é o da chave assimétrica. Trata-se de uma autêntica revolução em criptografia, talvez mesmo a mais importante desde o aparecimento de mensagens cifradas. O sistema, que está incorporado nos «browsers», em alguns sistemas de correio electrónico e, é claro, nas comunicações interbancárias, baseia-se numa proposta de Ronald Rivest, Adi Shamir e Leonard Adleman, três investigadores do Massachusetts Institute of Technology que, em 1977, avançaram um método de cifra que veio a ser conhecido pelas suas iniciais: RSA.

Com esse sistema, o receptor da mensagem, o vendedor da Internet, por exemplo, constrói uma chave que consiste em dois números grandes (N, e). Envia esses dois números para o computador do cliente e pouco se preocupa com o seu secretismo. Pode mesmo, se quiser, publicá-los no jornal. O computador do cliente, por seu turno, rescreve a mensagem que pretende enviar em forma numérica (habitualmente, seguindo os códigos ASCII dos computadores), obtendo um terceiro número (M), e aplica depois uma fórmula simples: eleva M à potência e, divide o resultado por N e calcula o resto, obtendo o número C, que envia pela Internet.

O espantoso é que esse número C, que é a mensagem cifrada, contendo, por exemplo, o número do cartão de crédito, pode ser visto por qualquer pessoa, porque, mesmo na posse da chave pública (os números N, e), a mensagem não é decifrável. A razão desse facto é que a função matemática que transformou o número M no número C não é biunívoca: ela transforma o número original num número perfeitamente determinado, mas outros números poderiam ter produzido o mesmo resultado, pelo que nenhum pirata da Internet fica a conhecer o nosso cartão de crédito.

Como pode então o receptor da mensagem descodificá-la? É que este, que emitiu a chave pública, sabe como a construiu: escolheu N como o produto de dois números primos (apenas divisíveis pela unidade e por eles próprios), digamos p e q, e não os revelou a ninguém. Conhecendo-os, calcula um outro número d, de tal forma que (ed - 1) seja divisível por (p - 1)(q - 1). Eleva então o número cifrado C à potência d, divide-o por N e calcula o resto da divisão inteira. Esse resto é a mensagem original M. Milagre? Não. É apenas a aplicação engenhosa de um resultado da teoria dos números, conhecido como Teorema de Euler.

O que torna este sistema praticamente inviolável é que a factorização de um número no produto dos seus primos é extraordinariamente morosa quando esses números são grandes. Obter o produto de dois números é fácil. Mas, mesmo sabendo que um dado número é o produto de dois primos p e q, encontrar esses dois factores pode não ser nada simples - e sem os conhecer a mensagem é indecifrável.

Basta que o número N seja grande e que os seus factores p e q sejam bem escolhidos, para que o tempo de computação necessário à factorização seja extraordinariamente elevado. Tão elevado que se torna impraticável a qualquer ciber-pirata tentar a proeza. Se cada um dos factores tiver 100 dígitos, por exemplo, e um computador conseguir efectuar um milhão de milhões de tentativas por segundo, ainda assim a idade estimada para o Universo não seria suficiente para garantir que tal computador conseguisse descobrir os factores primos desse número.

Como sempre, a cada avanço das técnicas de criptografia sucede-se um avanço nas técnicas de criptoanálise. O sistema RSA tem sido sujeito a ameaças variadas de matemáticos, que procuram algoritmos para a decifração da chave privada d, passando ou não pela factorização da chave pública N nos seus factores primos. Os sucessos que têm sido obtidos colocam restrições à escolha dos componentes do sistema e têm obrigado os peritos a utilizar aperfeiçoamentos vários para reforçar a segurança do sistema, nomeadamente números grandes nas chaves do RSA. Até ao momento, a matemática não conseguiu fornecer nenhuma forma de decifração que funcione contra o RSA. O comércio electrónico continua a ser muito mais seguro do que esconder dinheiro debaixo do colchão.

domingo, 13 de março de 2011

Compras Online

O aniversário da minha mãe foi este mês e eu dei por mim a comprar a sua oferta online. Achei que poderia fazer um artigo aqui no blogue sobre alguns dos sites que já utilizei para comprar online.

Este ano a minha mãe foi festejar o seu aniversário com um passeio pelo Porto. Como não foi possível acompanha-la, resolvi pesquisar uma florista no Porto que fizesse entregas de flores. A ideia era telefonar, mas facilmente encontrei vários sites de floristas que disponibilizam este serviço. Optei pelo site www.webflor.pt. As principais razões que me levaram a optar por este site, foram: A variedade de produtos e o facto de puder encomendar para ser entregue no mesmo dia. A encomenda foi fácil de realizar, o pagamento com cartão de crédito funcionou sem problemas, e o mais importante foi que a minha mãe recebeu as flores no seu quarto de hotel no dia do seu aniversário.

Outra loja online que utilizo é a www.merceariabio.pt. Uma das dificuldades que senti na minha primeira encomenda (e apesar de conhecer bem o site e a equipa da mercearia bio) foi indicar as quantidades quando estava a encomendar artigos como alface e abóbora… Mas os campos de observações são uma grande ajuda. O facto de o pagamento ser efectuado aquando da entrega, aumenta a confiança, e a qualidade dos produtos é uma grande mais-valia.

Encontram-se entre os produtos que compro normalmente online as cápsulas do café Nespresso, livros, voos de avião (principalmente em companhias low cost que encontro facilmente no site alma de viajante), reservas de hotéis, etc.

Tenho a certeza que o número de compras que faço online irá crescer, e uma das razões é que, até hoje, só tive experiência positivas quando utilizei este tipo de serviço.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Prémios Mercurio – O melhor comercio (online)

No passado dia 21 de Maio foram apresentados os vencedores dos Prémios Mercúrio.
Estes prémios visam identificar, reconhecer e premiar entidades e personalidades que, em Portugal e de forma consistente, tenham contribuído para a valorização do Sector do Comércio e Serviços e das profissões a este ligadas. Promovido pela Confederação do Comércio e Serviços de Portugal e pela Escola de Comércio de Lisboa, o "Prémio Mercúrio - o melhor do comércio", elegeu, em diversas categorias e entre as candidaturas apresentadas, os melhores exemplos de Originalidade, Inovação, Formação, Competência, Empreendedorismo e Responsabilidade Social. Agrupadas em três Áreas, as Categorias a premiar são as seguintes:

- Área Empresas

  • Lojas com História
  • Comércio Alimentar
  • Comércio Não Alimentar
  • Comércio Online Novos Conceitos

- Área Personalidades

  • Formação & Actividade Profissional
  • Jovem Empresário
  • Personalidade do Ano

- Área Prestígio

O que me interessa falar aqui é a categoria de comercio online, que visa premiar negócios de e-commerce, que tenham desenvolvido conceitos originais, aproveitando e suprindo lacunas deste, ainda jovem, canal e que tenham também desenvolvido funcionalidades de venda singulares e facilitadoras, demonstrando que, também nesta área, o comércio nacional é exemplo de bons casos.

O vencedor deste prémio foi o portal presentes.pt, este portal nasceu em Abril de 2006 e oferece três áreas: a gestão de listas online (casamento, baptizado, etc.); a comercialização de um cartão de desconto multiloja, ao qual estão associados 600 pontos de venda; e a existência de sub-portais locais, os “bairros.pt”, que potenciam as vendas dos canais físicos das marcas aí presentes. A Presentes.pt não vende produtos, com excepção do Cartão de descontos, porque o seu objectivo é potenciar as vendas do retalho, estabelecendo uma ligação directa entre os clientes e as lojas aderentes ao portal. A Presentes.pt apresenta uma série de potencialidades de extrema importância para o comércio de proximidade.
Este foi o vencedor, e realmente em termos de ideia de negócio é excelente. Particularmente a ideia das listas (de casamentos e não só).
O design está bastante atractivo, mas a utilização não é das melhores. Criei uma Wishlist para experimentar, e não foi fácil. Mas aconselho a experimentarem, criarem uma wishlist e divulgarem pelos vossos amigos e familiares, pode ser que no próximo natal não recebam tantas meias…

Entre os restantes nomeado encontramos também bons casos de comercio electrócnico, provavelmente melhores em termos técnicos. Os outros nomeados foram:

"O Clube do Pão é um novo conceito de serviço que nasce com um único propósito, ajudá-lo, durante 6 dias por semana, ao longo do ano. Em casa, comece o seu dia com a sua disposição em alta, ao receber o nosso delicioso pão alentejano, o pão de leite, ou o croissant, no conforto da sua casa. Escolha ainda o almoço das suas crianças para o colégio e para a noite, o seu jantar. Prove a nossa selecção de padaria, pastelaria e gourmet."

A página tem um design agradável, o conceito do negócio é inovador, mas quando vi este nomeado pensei que seria efectivamente uma padaria online e fiquei um pouco desgostosa quando não pude comprar ou encomendar efectivamente PÃO. Apetecia-me comprar PÃO e não vouchers. Tenho pena de não poder experimentar (pois moro em Portimão), para ver se esta ideia desaparecia.


"Lançado oficialmente em 2001, o Continente Online tornou-se o primeiro hipermercado online, em Portugal. Com preços iguais aos das lojas físicas e com as mesmas promoções, oferece mais de 20.000 referências, beneficiando da estratégia multicanal da marca, sendo as entregas realizadas por uma equipa e frota exclusiva, num horário alargado, das 9h às 22.30hrs."

Para mim, em termos de funcionalidade da compra este site está excelente. A área de receitas, e o facto de podermos comprar os produtos que as compõem, e a lista de compras não são funcionalidades imprescindíveis, mas são bastantes úteis quando utilizamos o site regularmente.
O design está simples mas apelativo. Um exemplo a seguir para quem quer entrar nas lojas on-line.

"Online desde 2006, o Gourmet Portugal é um projecto familiar que tem como objectivo levar os sabores de Portugal a todos os cantos do país e da Europa, através de um click. O site permite diferentes tipos de soluções, para particulares e empresas, baseadas em produtos alimentares gourmet, de marcas prestigiadas e marca própria, garantindo a sua entrega em todos os países da União Europeia até 3 dias úteis, entre as 9h e as 18hrs. O Gourmet Portugal permite, sem esforço, degustar produtos genuínos nacionais em qualquer parte da Europa."
Dos nomeados é site com o design menos apelativo, mas em termos de funcionalidades a loja online está bem conseguida: várias formas de adicionar os produtos ao cesto, várias formas de pesquisa. Gostei particularmente da ideia dos vouchers, dá sempre jeito para um presente.
"Com início de actividade em Agosto de 2006, o Puros.pt é um portal destinado aos apreciadores de charutos, com um sortido muito alargado dos mesmos e oferecendo, ainda, uma vasta gama de acessórios para fumadores, muitos seus exclusivos, dando bastante destaque aos de origem nacional."

A página está bonita, sóbria, quase que cheira a charutos. A loja online está fácil de utilizar. Só é pena que seja mais fácil adicionar os produtos à wichlist do que comprar, provalvemente porque os charutos devem ser comprados da mesma forma que devem ser fumados, calmamente.

Estes foram os nomeados, bons exemplos de comércio electrónico em Português, parabéns aos concorrentes e à iniciativa.